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25 de Maio de 2018 Netflix Review Séries
Resenha | 13 Reasons Why: Tinha Que Ter uma 2ª Temporada?


Resenha | 13 Reasons Why: Tinha Que Ter uma 2ª Temporada? (Reprodução)

13 Reasons Why é uma série que, desde a sua criação, em 2017, aceitou tratar do delicado tema do suicídio, baseando-se no livro homônimo de Jay Asher. E digamos que os produtores, Brian Yorkey e Selena Gomez, conseguiram fazer um ótimo trabalho em sua primeira temporada, adaptando toda a obra original (você pode ler nossa review sobre ela aqui).

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Em pouco tempo, com o sucesso da série, uma 2ª temporada foi anunciada. O assunto a ser tratado pairava no ar, já que, como dito, não havia mais nada da obra original a ser adaptado e os ganchos deixados pela primeira temporada foram pequenos e não necessariamente pediam por uma continuação.

E eis que, em 18 de maio de 2018, a Netflix lança a tão falada segunda temporada.

A 2ª temporada de 13 Reasons Why nos entregou uma boa história construída a partir dos ganchos deixados pela primeira temporada: a tentativa de suicídio de Alex, o estupro de Jessica, o sumiço de Justin… Apesar de ter entregado episódios muito longos que chegam a ser densos e arrastados, a série desenvolveu bem a história na temporada.

Podemos ver, nessa nova fase, a história da Hannah contada do ponto de vista de outras pessoas, o que te faz entender muito mais o peso dos porquês de seu suicídio. Inclusive, os personagens da temporada anterior foram muito bem desenvolvidos nessa temporada, exceto o Clay, este ficou estagnado.

O maior desenvolvimento apresentado foi o de Jessica, que se tornou muito mais humana, alguém com quem podemos nos relacionar. A personagem conseguiu superar seus erros e medos e deixar de ser a garota mesquinha da temporada anterior: ela cresceu.

Temos também a volta de Hannah, como um fantasma na mente de Clay. Isso, além de atrapalhar a narrativa da história, atrapalhou todo o desenvolvimento do casal Skye e Clay. Este casal, inclusive, não possui química nenhuma no começo da série. Porém, no decorrer dos episódios, o casal se torna mais próximo e podemos ver algo crescendo entre eles, mas logo isso é esquecido na série e, no final da temporada, ficamos perdidos quanto ao status de relacionamento do casal.

Enfim, como história, enredo, temos uma coisa muito bem feita, um trabalho bem feito. Porém, os problemas começam com o que está por trás disso…

[ATENÇÃO: A PARTIR DE AGORA, O TEXTO PODE CONTER SPOILERS]  

A 2ª temporada de 13 Reasons Why apresenta, inicialmente, três personagens vítimas de abuso sexual (e, no final, nós descobrimos que praticamente TODAS as mulheres da série possuem alguma história de abuso). E temos todo um plot sobre esse assunto, que consiste em um julgamento para colocar o réu, Bryce Walker, na cadeira por conta de seus atos. Acontece que isso NÃO acontece e o abusador pega apenas três meses de condicional. OK, isso acontece porque ele é um homem branco rico, e isso acontece na vida real. Mas, numa série cuja intenção é conscientizar e incentivar a denúncia, e não fazer uma crítica à sociedade ou à justiça, situações como essa acabam passando uma ideia errada. Por exemplo, de que, se você é uma mulher e for estuprada, apenas torça para seu abusador não ser um cara branco rico, ou então seus esforços perante a justiça serão em vão.

Também temos uma cena totalmente desnecessária, pesada e violenta no final da temporada, onde vemos Tyler ser agredido violentamente e estuprado, humilhado, violentado explicitamente no banheiro de sua escola. E, a despeito de tudo o que a série pregou na primeira temporada sobre buscar ajuda, o garoto não busca ajuda, pois acredita que a escola não fará nada a respeito. E isso é uma das falhas mais graves da temporada: vemos os adolescentes tentarem resolver seus problemas por si só, sem a ajuda de adultos, profissionais ou servidores do ambiente escolar. Não vemos nem mesmo nenhum personagem com uma relação de confiança com seus pais.

E, já no final da série, vemos Tyler pronto para realizar um massacre, como resposta pela violência acometida como o mesmo. E ele é parado por Clay, sozinho. Tendo em vista a atual situação dos Estados Unidos, onde isso tem acontecido atualmente, é muita irresponsabilidade da série deixar essa ponta solta no final da temporada e mostrar que um único adolescente, sozinho, que se recusou a chamar a polícia, é capaz de parar o massacre.

Não adianta usar como argumento o fato de que a série deixa esses pontas soltas para uma possível terceira temporada. Esses ganchos nos deixam em situações negativas e desesperançosas e é completamente irresponsável deixar isso a ser tratado pra daqui um, dois anos. Uma pessoa que foi afetada por um dos gatilhos presentes na série não vai esperar um ou dois anos para fazer algo danoso para si mesmo ou até mesmo para outros.

E não, por mais que a série mostre a realidade, ela se tornou muito pesada, muito densa, o que pode ativar gatilhos. Existem outras maneiras mais suaves de tratar desses assuntos delicados, como a própria Netflix conseguiu fazer em outras séries, como por exemplo Dear White People, Atypical e One Day At A Time.

Mas a primeira temporada continua sendo muito boa.

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