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4 de Março de 2018 Destaques Filmes Review
Resenha | A Forma da Água
Resenha | A Forma da Água (Reprodução)

“Protagonista muda, melhor amiga negra, par romântico principal fora do comum, diretor estrangeiro e intertextualidade com arte clássica e seus musicais”. É o que talvez digam que sejam os motivos para que A Forma da Água tenha sido indicado por 13 categorias do Oscar. Boa parte dessas escolhas de personagens e roteiro talvez tenham sido feitas como uma estratégia de mirar o filme nos jurados de premiações, mas Guillermo Del Toro não limitou seu romance/suspense a um “notice me, Oscar-Senpai“.

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Situado durante a Guerra Fria, a descoberta de uma criatura aquática, considerada como divindade pelos nativos da Amazônia, fez com que abrisse mais fogo ao conflito científico entre EUA e Rússia. E é nesse plano de fundo político antigo que acontece um romance que seria digno de um conto de fadas Disney, se não fosse pelas cenas quentes, entre a faxineira muda do laboratório e o monstro aquático.

Del Toro não deixa sua Forma da Água ter uma forma sólida. O filme começa transitando como um conto de fadas, mas antes de ser categorizado como tal, apresenta uma cena erótica, desmanchando sua primeira forma. Logo em seguida, transita nos horrores visto em filmes de monstros com a criatura estrangeira aquática, mas volta ao clima romântico com um Bela e a Fera adulto. O personagem de Michael Shannon, que seria o herói se o filme fosse apenas sobre um monstro horroroso, se torna um vilão cartunesco que quer separar o casal apaixonado.

Ainda, no meio de toda essa história política, romântica e com suspense, o filme vai transitando em visuais belos e artísticos, tanto pelo modo como o diretor é conhecido por trabalhar bem preferindo a maquiagem ao invés do CGI, como pela fotografia com vários tons azulados e esverdeados e a intertextualidade com a arte da época, com direito até a uma cena típica de um filme musical, fazendo uma viagem fantasiosa e cinematográfica na arte dos anos 1960. É como uma correnteza, indo de lá a cá, sem uma forma sólida, afinal estamos falando da forma da água. O título condiz com o filme, tanto pela história como por sua técnica.

Entre vários talentosos nomes, Sally Hawkins é o destaque. Sem falas para sua personagem, sua interpretação é comunicativa através das feições, nada exageradas e nem muito simples, mas definitivamente mais que apenas um par romântico para o peixe-humanoide. Falando nele, sua caracterização tendo a assinatura Del Toro de maquiagem é um dos pontos certeiros. Não chega a ser superior à vista em O Labirinto do Fauno, mas é a marca mais visualmente reconhecível do diretor.

Mais que uma receita favorita dos votadores de premiações, A Forma da Água é um atraente escapismo. Conversa com a arte clássica e a diversidade, com o romance sensual e o terror da ambição política, conversa com emoção sem precisar de falas. O visual e a música é tocante, duas das categorias mais marcantes da sétima arte. É um filme cinemático, artístico, e mesmo que tenha as formas do Oscar, isso não seria algo para o desmerecer caso ganhe os prêmios a que foi indicado.

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