“Um Lugar Para os Apaixonados por Séries”

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6 de Abril de 2018 Destaques Filmes Review
Resenha | Um Lugar Silencioso é pura tensão do começo ao fim!


Resenha | Um Lugar Silencioso é pura tensão do começo ao fim! (Reprodução) um lugar silencioso
Morena Soares

Todo filme é produto de sua época. E o gênero terror ilustra bem isso. A 2ª guerra trouxe para os EUA os monstros atômicos assassinos. Nos anos 60, as coisas mudaram um pouco de figura, agora o seu vizinho poderia ser um assassino em série, e aquele pacato jovem na esquina tinha – literalmente – seus esqueletos no armário. Tivemos a fé questionada com O Exorcista e A Profecia nos anos 70 e uma Rosemary se questionando se Deus estava morto um pouco antes.

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Assassinos em série vinham destruir a ingenuidade do jovem americano nos anos 80. A girl power dos anos 90, com Silêncio dos Inocentes e a franquia Pânico, onde as mocinhas já não eram tão donzelas em perigo, com os anos 2000, o novo milênio e o medo da morte e do que vem depois (para quem não sabe, havia um profecia dizendo que o mundo acabaria nos anos 2000), explorado em O Sexto Sentido e Os Outros. E então o 11 de setembro aconteceu e com ele uma nova safra de jovens inocentes tendo seus futuros interrompidos por assassinos em série, como nas refilmagens do Massacre da Serra Elétrica, Halloween e A Morte Pede Carona.

O apocalipse e o fim da humanidade, em Terra dos Mortos e Extermínio. Uma típica família americana mostrava seu lado sombrio na refilmagem Viagem Maldita e no mais recente Ao Cair da Noite. Os Homens já não amavam mais as mulheres, que também se mostraram fortes o suficiente para lidar com seus problemas sozinhas, como em Millenium e Garota Exemplar. Todos esses citados têm algo em comum: A América não é um lugar seguro, não por causa de monstros atômicos, mas muito mais pelo que um ser humano pode fazer ao outro. E assim, o racismo é escancarado nas telas com Corra!, a maternidade que sempre foi defendida como algo bonito, é posta em cheque com Babadook.

E então chegamos a Um lugar Silencioso. No filme, uma família composta por Pai, Mãe e três crianças são ameaçados por criaturas assassinas que atacam ao menor sinal de barulho. O silêncio rigoroso os impede até mesmo de conversar entre si. Dirigido por John Krasinski e estrelado pelo próprio com a sua esposa Emily Blunt, o casal da vida real traz às telas o medo de muitos pais e mães: como criar seus filhos nesse mundo que vivemos?

Ambientado em um mundo destruído, os pais tentam levar uma vida tranquila educando seus filhos de acordo com as regras do novo mundo. Mas, como explicar para uma criança que ela não pode levar o brinquedo para casa, já que ele faz muito barulho e pode acabar matando a todos? Como superar a dor da perda daqueles que já se foram? E a chegada de uma nova vida: trazer ou não para o mundo tão ruim, um ser inocente. Será ele a esperança? Tudo isso sempre em alerta, pois a qualquer momento algo pode pular das sombras e te matar.

A metáfora para o mundo atual funciona, grande parte pela química da família, que desperta nossa empatia numa situação que, com ou sem monstros, nós podíamos estar. Ao mesmo tempo, o silêncio sepulcral nos mergulha na angústia que os personagens sentem. E como se trata de um filme quase sem diálogos, é importante essa troca de gestos e olhares. A edição de som e a trilha sonora são pontos altos, conseguem criar o clima perfeito, onde o simples ranger da madeira te faz ficar na ponta da cadeira com medo que algo vá aparecer.

Temos momentos como o da cachoeira, que entra como um alívio na tensão do filme todo, ao mesmo tempo em que desenvolve um pouco da trama e dos personagens em sua luta para com seus próprios demônios. Como não surtar em uma situação dessas? São várias perguntas que vão sendo respondias aos poucos e muito tem a ver com a família. É basicamente um filme sobre a família. E como o esperado, o filme traz jump scares, mas quase nunca gratuitos. Ou o susto vem de uma ação dos monstros, ou de uma ação para impedir que eles apareçam e nisso Krasinski manda muito bem, ainda que de vez em quando solte um barulho, mais para nos assustar do que por qualquer outra razão.

No entanto, as falhas do roteiro chamam muita mais a atenção do que deveriam. Desde um prego que não tem função alguma na história, passando pelo parto mais rápido e limpo do mundo, e uma recuperação tão rápida que mais parece ter saído de uma gripe. Sem falar na total ausência de outras pessoas na cidade, o “apocalipse” pode ter começado, mas daí no mundo inteiro só restaram eles? O design das criaturas também deixa a desejar, elas mais parecem uma cópia malfeita dos monstros de Stranger Things que qualquer outra coisa. Gostaria de ter visto mais um pouco do conflito interno daquela família, depois de um acontecimento no terceiro ato que, confesso, me pegou de surpresa. Porém, por se tratar de um filme mais comercial, o filme foca mais na ação do que no drama, indo ao caminho oposto do já citado No cair da Noite. Não que seja um grave problema, mas sinto que se o filme tivesse mais uma meia hora, poderia ter sido ainda melhor.

Apesar dos pesares, Um Lugar Silencioso cumpre sua função de entreter e te manter na ponta da cadeira. O filme traz uma América destruída e uma família tentando sobreviver ao caos. Não muito diferente da vida de muitas famílias no Brasil, América ou qualquer outro País do mundo. A diferença são apenas os monstros, que mudam de aparência, mas a personalidade continua a mesma. A ameaça está sempre a espreita e cabe aos pais tentarem ao máximo proteger seus filhos e ensinarem eles a se proteger. Assim como é importante também escutá-los. E que aquela cena final sirva de inspiração para quem estiver assistindo.

Resenha por: Oliver Valle

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