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16 de Janeiro de 2018 Destaques Filmes Review
Resenha | Jumanji: Bem-Vindo à Selva
Novo Jumanji tem momentos bons o suficiente para agradar duas gerações.

Resenha | Jumanji: Bem-Vindo à Selva (Reprodução) Jumanji
Daniel Rodrigues

Quando o filme Jumanji foi lançado em 1995, muita coisa era diferente. As crianças ainda gostavam de jogos de tabuleiro, não eram tão dependentes do mundo virtual e videogames estavam começando a ficar mais interessantes com a chegada do Playstation. Bom, eu virei os olhos quando vi que a continuação daquele filme iria substituir o tabuleiro por um game. O filme teve uma desculpa rápida e até que palpável para essa mudança. Mas ainda assim, fiquei me perguntando o motivo de tamanha coragem de mudar algo que já estava tão bem estabelecido. Mas gente, pensando melhor todas essas mudanças fazem sentido, em um momento do longa um personagem diz “quem joga jogo de tabuleiro hoje em dia?!”, e olha que isso no filme é dito em 96…. Os tempos mudaram, a diversão infantil mudou e precisei lidar com isso.

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Talvez essa seja a maior virtude desse filme. Mesmo sendo continuação de um filme de 23 anos atrás, consegue maneirar nas referências e caminhar com as próprias pernas. Os produtores entenderam que a ideia de Jumanji era boa, mas verdade seja dita: ainda com alguns fãs, o longa não se tornou um clássico. Mesmo com esse detalhe, o novo respeita o original, fazendo sempre que pode uma referência sutil e competente. É um artefato parecido com as peças do jogo original; é uma plano mostrando o tabuleiro muito semelhante ao primeiro filme ou até o nome de algum antigo personagem mencionado. São coisas que quem amou o filme quando criança vai entender e vai vai dar aquele sorriso básico.

A história dessa vez conta a trama de quatro adolescentes, um mais estereotipado que o outro. Temos o nerd, a patricinha, o esportista e a desengonçada. Qualquer semelhança com Clube dos Cinco é mera coincidência. Esses jovens vão para detenção (juro que é coincidência) e lá vão ter que limpar o porão da escola. É onde encontram um misterioso vídeo game antigo chamado Jumanji, então os quatro resolvem dar “play” e acabam sendo transportados para o universo do jogo assumindo a forma dos avatares que escolheram para jogar.

Só pela sinopse vimos que o filme utiliza de velhos clichês para fazer humor e funciona muito bem graças ao elenco. The Rock interpreta o nerd inseguro e está se divertindo muito nisso; Jack Black como uma patricinha metida arranca várias risadas; Kevin Hart está atuando como o Kevin Hart, ou seja engraçado e exagerado. Mas com certeza a que mais me surpreendeu no elenco foi a Keren Gillan, conhecida pela Nebulosa em Guardiões da Galáxia, não tinha ideia de seu talento pra comédia. Ela é a que mais faz os maneirismos de uma adolescente tímida e reclusa. A química entre ela e o Jack Black criam um dueto cômico hilário (a cena onde eles sensualizam vale a viagem), queria que o filme explorasse mais os dois juntos. Sem contar que se você cavocar, encontra sacadas muito boas e sutis sobre sexismo e identidade de gênero nessas personagens.

O humor do filme ganha muito pela auto paródia, o elenco faze piadas sobre seu próprio físico e funciona muito. Realmente é um elenco dedicado que ganha no humor. Mas o longa é uma comédia com aventura e é ai que encontramos suas fraquezas. A ação do filme não convence por dois motivos: um, direção. Jake Kasdan por melhor que seja na direção do seu elenco, não conseguiu trazer aqui um senso de perigo. Faltou mais cenas fora de Jumanji para nos apegarmos aos personagens. Do jeito que foi feito, acaba que não nos importamos muito com a vida deles durante o filme. Dois, trilha sonora. Música sem nenhuma delicadeza ou criatividade, uma aventura precisa de uma boa trilha.

Ah e o vilão desse filme é péssimo. Eu até podia entender dele como um vilão clichê de vídeo game. Mas o filme não faz uma piada sequer com isso e tenta nos empurrar uma imponência que não convence. Nick Jonas está no filme também e está se divertindo como todos. O elenco jovem dos protagonistas fora de Jumanji não impressiona, mas também deve-se considerar que não tiveram tanto tempo em tela.

Existe pelo menos um momento bem bonito onde vemos o elenco em completa harmonia perto do fim. Se o filme soubesse desenvolver melhor a relação de afeto entre os personagens poderia ter ficado melhor.

No modo geral, Jumanji: Bem-Vindo à Selva é pouco imaginativo nas cenas de ação e peca na ausência de uma trilha sonora mais emocionante. Embora não tenha o mesmo brilho de seu antecessor, tem um elenco dedicado ao humor leve e nada ofensivo. Consegue agradar tantos os pequenos, quanto os barbados que vão ao cinema esperando aquela pontinha de nostalgia.

Jumanji

 

 

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