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18 de Janeiro de 2018 Destaques Filmes Review
Resenha | Eu, Tonya


Resenha | Eu, Tonya (Reprodução) Eu, Tonya
Carolina Guedes

Margot Robbie brilha no papel de Tonya Harding e prova que tem um potencial muito maior do que qualquer um imaginou vendo suas performances anteriores.

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Com ironia, uma carga emocional pesada e decisões péssimas somos guiados durante a jornada problemática – em todos os sentidos – da ex patinadora profissional que teve o mundo em sua mão e pagou um preço injusto por sua origem e aqueles que a rodeavam.

Eu, Tonya tem um ritmo constante e muito agradável. Começamos a conhecer a personalidade forte da protagonista logo de cara e entendemos um pouco dos motivos que a tornaram o ser humano extremamente carente e pronta para se defender a qualquer momento de tudo e todos. Um dos pontos mais interessantes do filme é ver como Tonya sempre interpretou a agressão física e verbal como amor. É o que ela conhece pela parte da mãe e do marido, e consequentemente se vê destinada àquilo, sem contestar em nenhum momento se é merecedora de algo melhor.

Quem conhece a história pelos tabloides tem uma ideia completamente diferente de Tonya Harding. A grande sacada do filme é mostrar justamente esses dois lados, um deles mostrado pelas entrevistas obtidas com seu marido da época – causador de todo o desastre que veio a arruinar a carreira como patinadora profissional. Não somos ditos se ela era inocente ou não. Não temos detalhes sobre Nancy ou sobre sua reação e opinião envolvendo o ataque. Sabemos quem Tonya foi, é e aparentemente aceitou se tornar para o resto de sua vida e esse espaço para interpretação é exatamente o que precisamos nesse tipo de história.

Com a própria mulher que deu inspiração ao filme afirmando que as atuações estão no ponto e bem próximas de sua realidade, nos resta sentir pena da menina com uma mãe sem talento nenhum para amar (pelo menos não da forma que muitos consideram ser o amor “correto”). Allison Janney brilha e encarna sua personagem de uma maneira magnífica, roubando a cena sempre que aparece e nos causando um sentimento louco de ódio e interesse infinito por essa pessoa desprezível, porém talvez também muito maltratada pela vida.

O filme apresenta o caso de sua protagonista, nos entrega personagens coadjuvantes muito bem trabalhados e ao ponto de nos segurar na história até quando o foco sai da história principal. Temos uma trilha sonora maravilhosa que ajuda a manter o clima diferente, vintage e mais rebelde do filme. Com pequenos detalhes que poderiam ser melhorados, não é possível dizer que Eu, Tonya é um filme mediano. Ele entrega o que propõe, exige de seus atores uma interpretação singular e consegue segurar a sua atenção a todo momento.

Para testar a sua empatia, a sua inocência quanto a sociedade em que vivemos e qual o real custo para conquistar algo dedicado aqueles que estão um degrau acima, e a questionar o quão rápido podemos julgar uma situação sem todas as informações em uma mesa aberta. Eu, Tonya merece o espaço que veio ocupar e o reconhecimento para o trabalho daqueles envolvidos no projeto. O melhor papel de Margot Robbie até o momento, com certeza.

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